46 anos, muita luta e muita gratidão!

Neste dia, Fábio Jabá completa 46 anos e abre o texto agradecendo a Deus por tudo que viveu até aqui. Ele se descreve como um homem de coração grato, mesmo tendo enfrentado, na infância, dificuldades ligadas à pobreza e à discriminação. Foi sua mãe, já falecida, Aparecida, quem lhe ensinou a lutar e a vencer.

Ele conta que viveu em sua cidade natal, Lavínia, até os 21 anos. Chegou a ter um pequeno comércio, que não deu certo e faliu. Descreve sua trajetória como um aprendizado permanente, no qual os próprios erros foram os maiores professores. O grande ponto de virada aconteceu aos 21 anos, quando ingressou no sistema prisional, escolha que tem raízes em seu primeiro emprego, aos 13 anos, levando comida para a Delegacia de Lavínia. Foi ali que conviveu com diversos policiais, entre eles o carcereiro Moisés (hoje investigador aposentado), que o acolheu bem e plantou nele a vontade de seguir carreira na polícia.

Ele relembra ainda uma redação escrita na antiga disciplina de Educação para o Trabalho (EPT) e cita a professora Sueli Moura, que depois se aposentaria como Policial Penal, como alguém que o inspirou nesse caminho.

Tomou posse como agente penitenciário em 10 de novembro de 2000, aos 21 anos. Na época, disputava diversos concursos públicos. Diz que sempre foi um bom aluno e já exercia liderança na escola, participando de várias atividades, e afirma que a educação foi um dos pilares que garantiu sua sobrevivência.

Quando fez o concurso, o objetivo era passar e se mudar para a capital. Reconhece que o período não foi fácil e que estava sozinho, mas, antes de tomar posse, conheceu Eliza, hoje sua esposa. O amor entre os dois foi imediato e intenso, e ele levou consigo, para São Paulo, o desejo de voltar para perto dela.

A unidade em que começou a trabalhar foi inaugurada recebendo 96 presos transferidos depois de uma rebelião no chamado "Piranhão", nome pelo qual era conhecido o RDD de Taubaté, hoje convertido em hospital de custódia. Entre esses presos estava um nome de grande repercussão criminal, o "Maníaco do Parque", que ficou alojado na área de seguro. Ele observa que essa parte de sua história já é conhecida por muita gente.

Ele se diz grato por tudo o que aprendeu enquanto trabalhou na capital e por amizades que fez ali e que mantém até hoje. Foram tempos difíceis, marcados por tragédias e mortes decorrentes do avanço do crime organizado, dias sombrios, vividos longe de casa e da mulher que amava. Foi ali, no entanto, que começou a se forjar como profissional e encontrou sua vocação verdadeira: nasceu para ser agente penitenciário, e hoje é policial penal.

Conseguiu, depois, retornar para trabalhar na unidade prisional de Lavínia. Lá o destino o colocou diante de outra missão: cansado, junto com mais quatro colegas que chama de guerreiros, do crescimento e do domínio do PCC dentro da unidade, decidiu denunciar os abusos observados. Depois de várias tentativas de resolver a questão pelo diálogo, sem sucesso, o grupo agiu em dezembro de 2004, durante uma festa promovida pelos próprios presos.

Ele descreve como eram essas festas na época: os presos decoravam a radial, faziam churrasco no dia do evento e tocavam CDs que faziam apologia ao crime. Os pavilhões tinham as paredes pintadas com símbolos conhecidos, como desenhos de cigarros de maconha, e frases como "Paz, Justiça, Liberdade e Igualdade".

A decisão de denunciar trouxe consequências que ele não previa: perseguição, ameaças e humilhações. Passou pelo que era conhecido como "bonde" e foi removido de unidade, mas não desistiu. Depois de anos de luta, o grupo conseguiu vencer essa etapa.

Dali nasceu uma nova missão. Os problemas enfrentados na unidade o levaram a frequentar o Sifuspesp regional de Mirandópolis, sem saber que estava sendo introduzido a outra vocação. Além de se aprofundar em leis e regimentos, passou a atuar como voluntário, visitando unidades da região e aprendendo sobre esse novo papel.

Com o tempo, chegou à presidência do Sifuspesp, dando sequência à luta de quem passou por ali antes dele. Foram 15 anos de amadurecimento até chegar onde está hoje. Ele afirma que sempre amou sua profissão e que, como presidente do Sinppenal, tem orgulho de representar e lutar por sua categoria, que lhe deu dignidade.

Diz ter aprendido, dentro das unidades, valores como ética, respeito e a importância da palavra dada. Passou também pelas unidades de Riolândia e de Lavínia II, períodos que também não foram fáceis.

Apesar de tudo, afirma que sempre existiu algo maior guiando e protegendo sua trajetória: Deus. Foi batizado aos 12 anos pelo pastor Wilson, também Policial Penal, hoje aposentado.

Com o tempo se afastou da igreja, mas diz que Deus nunca se afastou dele. Em 2007, depois de um período de oração, retomou a vida cristã e assumiu a coordenação da região de Mirandópolis. Foi nessa fase que enfrentou uma de suas maiores batalhas: denunciar um pedófilo que liderava a igreja que frequentava.

Ele classifica esse episódio como uma das maiores guerras de sua vida, mas reafirma que, mesmo nesse momento, sentiu a presença de Deus, como mais uma etapa do seu processo de formação. Diz seguir, até hoje, em busca de justiça.

Reconhece que ainda há muita história para contar, mas decide encerrar o relato por ora.

Agradece a Deus por tudo o que aprendeu ao longo da vida e à esposa, que o aceitou de volta depois de dois divórcios. Admite ter cometido muitos erros, mas descreve sua vida como um aprendizado constante.

Ao completar 46 anos, conta que em muitos momentos pensou em desistir, mas que no ano anterior voltou para os braços do Pai, único Deus e Senhor de sua vida, que lhe deu forças para continuar. Diz estar vencendo doenças e vencendo a si mesmo.

Agradece ao Senhor, à família por tê-lo aceitado de volta e à própria vida.

Afirma que continua lutando pelo ideal de sua categoria, e lembra que já se candidatou a deputado estadual, algo que quem o conheceu em Lavínia consideraria improvável. Diz não ser rico, mas aponta como sua maior riqueza o amor de Deus, o amor da família e, especialmente, o amor de seu neto, Fábio César, que descreve como a maior honra de sua vida.

Destaca, como o melhor de tudo, ter hoje uma legião de amigos, homens e mulheres de honra, que acreditam nele e lutam ao seu lado.

Ao olhar para esses 46 anos, diz que só tem a agradecer, e resume: sua própria vida é o maior presente que recebeu.

Encerra agradecendo ao Senhor e afirmando que continuam, juntos, escrevendo essa história.

Matéria originalmente publicada no blog "Diálogo Digital com Fábio Jabá" em 04 abr 2025. Ler a versão original no blog
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