A realidade da organização sindical e da categoria

Neste momento, lutar deixou de ser opção e virou necessidade. É uma mensagem que venho repetindo com insistência aos colegas de categoria nas diversas unidades prisionais e nos demais locais de trabalho que tenho visitado ao longo destes últimos meses de atuação.

O quadro que encontro é preocupante: falta diálogo por parte do governo, há pouco respeito tanto de dirigentes sindicais quanto de chefias das unidades prisionais, pairam ameaças concretas como a privatização do sistema, multiplicam-se os processos administrativos contra servidores e o próprio governo estimula a desunião entre os colegas. Cada um desses fatores, isoladamente, já enfraquece a categoria; somados, corroem ainda mais nossa capacidade de reação. Estou convencido de que só existe um caminho real para enfrentar tudo isso: organizar o sindicato, ocupar as redes sociais e, principalmente, fortalecer o trabalho de base.

Isso não significa recusar a construção de novos caminhos e novas alternativas para a categoria, longe disso. Mas considero que a disposição para estar lado a lado com os colegas, olho no olho, é o que sustenta qualquer luta. Só se enxergam novos horizontes quando caminhamos com a cabeça erguida, com determinação e em conjunto. Por isso tenho me dedicado, de forma persistente, a manter esse contato direto: quem me conhece sabe que estou sempre presente na base, junto aos trabalhadores.

Ao mesmo tempo, preciso ser honesto: da forma como está estruturada hoje, a atual diretoria do sindicato ainda não reúne condições de levar a categoria adiante. Falta ampliar a transparência na gestão sindical e falta reconquistar a confiança que foi perdida junto à base. Por isso considero necessário resistir a esse imobilismo que hoje trava o movimento sindical, e trabalhar para construir mais unidade entre os colegas, o que me leva a defender que, no futuro, tenhamos um sindicato único representando toda a categoria.

Sabemos também que, hoje, a maioria da população brasileira enxerga os sindicatos com desconfiança e olhar negativo. Como reflexo disso, uma parcela relevante da nossa própria categoria está fora do sindicato ou insatisfeita com sua atuação. Para reverter esse cenário, é indispensável apostar na renovação das lideranças, com nomes que já tenham demonstrado, na prática, capacidade de organização, respeito pelos colegas e coragem para promover mudanças reais.

O momento pede união e organização. Renovar as lideranças do sindicato é parte desse processo, mas há também um trabalho de fôlego mais longo pela frente: organizar a categoria dentro dos locais de trabalho e investir em formação sindical. Só assim será possível colher resultados, que certamente não virão de imediato, já que atravessamos anos marcados por divisões internas e pouca mobilização. Este é um tempo de reconstruir, de resgatar a esperança e de reaproximar a categoria do seu sindicato, porque sem trabalho e sem esforço não há conquista possível daqui para frente. É a verdade que se manifesta.

Matéria originalmente publicada no blog "Diálogo Digital com Fábio Jabá" em 23 fev 2017. Ler a versão original no blog
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