Cordel de um povo guerreiro (ou da conjuntura brasileira)

Neste post, Fábio Jabá publica um cordel, aquela forma tradicional de poesia popular brasileira, escrito em versos rimados, para comentar o momento político que o Brasil vivia em fevereiro de 2017.

O cordel começa descrevendo um mundo tomado por conflitos: os Estados Unidos fecham suas portas para se proteger, cuidando só de si, enquanto os banqueiros, movidos pela ganância, também só enxergam o próprio interesse e viram as costas para o resto do mundo.

Em seguida, o autor traça um contraste com a China, que segundo ele tem um Estado forte, capaz de se abastecer e cuidar do próprio povo. Já no Brasil, aponta, são os "coronéis", ou seja, a velha guarda de políticos e mandantes, que entregam o país aos estrangeiros.

Com o refrão que dá nome à sua marca, "verdade seja manifesta", Jabá denuncia que, por qualquer trocado, esses grupos sacrificam o trabalhador que está vivo, tratando o povo como moeda de troca.

Ele acusa quem está no topo de querer privatizar serviços e cortar verbas públicas, o que atinge diretamente o sistema prisional, os salários dos servidores e deixa a população aflita.

Como resposta, convoca quem está embaixo, o povo trabalhador, a se unir e reunir forças. Diz que, se o então governador Geraldo Alckmin (grafado no texto como "Alkimin") e o então presidente Michel Temer pretendem vender as riquezas e a terra do país, defender o trabalho e o Brasil passa a ser compromisso de todos.

O autor elogia a organização das categorias ligadas à segurança e à Justiça, PMs, juízes e promotores, afirmando que estão bem organizados e que nenhum "folgado", ou seja, ninguém acomodado ou omisso, consegue fazer frente a essa força.

Ele então conclama os agentes penitenciários, a categoria do AEVP (agente de escolta e vigilância penitenciária) e os servidores da área administrativa a também levantarem seus braços em luta. Quando isso acontecer, afirma, o Brasil finalmente vai entender o que estava escondido até então.

Esse "escondido" é o próprio agente penitenciário: um bravo que segura a tranca e impede que bandidos ameacem a casa do cidadão comum, mas que, segundo o poema, só será reconhecido e visto pela sociedade se o povo estiver unido.

O cordel se encerra com a assinatura do autor, Fábio Jabá, seguida da hashtag "#verdademanifesta", reforçando o tom de denúncia e convocação à união presente em todo o texto.

Matéria originalmente publicada no blog "Diálogo Digital com Fábio Jabá" em 16 fev 2017. Ler a versão original no blog
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