Cuidar da família, da vida e dos sonhos: essa é a ideologia

Não existe cego pior do que aquele que se recusa a ver. Ideologia de partido, por si só, não resolve a vida de ninguém: cada pessoa tem toda a liberdade de torcer pela sigla ou pelo candidato que quiser. Mas, para o autor, a maior ideologia que um ser humano pode ter de verdade é cuidar da própria família, correr atrás de solução para os próprios problemas e batalhar pelos próprios sonhos.

A partir do momento em que um governo, ou qualquer pessoa no poder, atropela esse direito, o direito de cuidar da própria vida, da família e dos sonhos, conquistados com o trabalho e o esforço diário de cada um, essa pessoa passa a ser tratada como adversária. Isso vale ainda mais quando se trata de alguém que, na campanha, discursou em defesa da valorização do trabalhador e, com o tempo, traiu a confiança que recebeu nas urnas.

Muita gente tenta justificar o apoio a esse tipo de candidato, mas é preciso encarar a realidade: o voto tem peso, e peso grande, como mostrou o resultado das eleições municipais de São Paulo, em que Doria saiu fortalecido. A prefeitura da capital paulista administra o terceiro maior orçamento do país, atrás apenas do orçamento da União e do governo do estado de São Paulo; com essa nova estrutura de poder nas mãos, Doria ganha mais um instrumento para se posicionar politicamente.

Há quem diga que "Doria não se elegeria nem para zelador de prédio", mas, segundo o autor, esse raciocínio subestima o tucano: ele deve sair fortalecido rumo a uma candidatura à Presidência e, de quebra, ainda reforça o projeto do PSDB para o governo do estado.

Vivemos um momento em que cada um precisa olhar primeiro para si, mas isso não é individualismo, e sim reação a uma perda coletiva grande demais. O autor assume que esse é um discurso corporativista, feito de propósito para chamar a atenção da categoria, porque, no fim das contas, é essa conscientização que realmente importa.

Ao falar da luta de classes, ele lembra que cada categoria organizada cuida da sua própria pauta e da sua própria luta funcional, "e nós temos a nossa". Os colegas precisam entender que a luta é conjunta, mas que ela nasce de uma postura individual de cada um. Quem não concorda com isso deveria, no mínimo, não atrapalhar nem criticar quem está lutando, principalmente se não colabora em nada com a causa; quem aceita calado tudo o que o governo impõe deveria, ao menos, continuar calado e não estorvar quem tenta fazer alguma coisa.

A pandemia desorganizou muita coisa, e mais do que nunca é hora de valorizar a vida. Ainda assim, no ano seguinte haverá mobilizações seguindo todos os protocolos sanitários, com paralisações em frente às unidades e complexos prisionais. O autor defende que é possível travar o sistema prisional inteiro: basta que cada um cumpra a sua parte, dentro da sua própria função, para parar o sistema como um todo.

Ele convida cada leitor a refletir sobre como está a própria vida hoje e sobre como ela poderia estar melhor se cada um se dedicasse um pouco mais à causa coletiva.

Encerra afirmando que cada trabalhador é o seu próprio melhor representante, porque é quem sabe o que quer e o que precisa. Hoje existe um sindicato atuante e atento, e o convite fica para que essa representação cresça e se fortaleça cada dia mais, através da união de todos.

Matéria originalmente publicada no blog "Diálogo Digital com Fábio Jabá" em 17 dez 2020. Ler a versão original no blog
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