Em tempo de crise e privatização, só nos resta a união

Ficou evidente para todos que Michel Temer assumiu o poder com o apoio dos bancos e do PSDB de Geraldo Alckmin, e que essa base sustenta um projeto de retomada das privatizações e de novas regras, injustas, para a aposentadoria.

A PEC 55 (o teto de gastos) congelou por 20 anos os investimentos sociais e o reajuste real do salário mínimo. O resultado é um Estado cada vez mais enfraquecido e um funcionalismo público sem perspectiva de aumento.

Antes mesmo disso, o governador do Estado já vinha usando o mesmo discurso da crise para enrolar os trabalhadores por anos seguidos.

E os problemas não terminam aí.

O Congresso Nacional avança com a reforma trabalhista, e poucas categorias estão suficientemente organizadas para reagir a esse avanço.

Sem resistência, o caminho é o aumento da jornada de trabalho: fala-se em 48 horas semanais, e há quem defenda, de forma absurda, jornadas de 60 ou até 80 horas por semana. Junto disso vêm a redução das férias, o corte do horário de almoço e o ataque aos direitos previdenciários.

Também se observa a defesa de que os acordos individuais de trabalho passem a valer mais do que a própria legislação.

Esse modelo, que combina flexibilização das negociações com terceirização ampla, já é defendido há tempos por Alckmin. #verdademanifesta

A privatização dos presídios também está praticamente decidida. O caminho para isso foi aberto em 2015, com a CPI do Sistema Penitenciário, usada para dar legitimidade a essa medida. O caso do Amazonas mostrou o quanto esse tipo de privatização é perigoso para toda a sociedade.

Já a reforma da previdência em curso prevê idade mínima de 65 anos para se aposentar e eleva o tempo mínimo de contribuição de 15 para 25 anos.

Dessa vez a reforma atinge também os servidores públicos, inclusive extinguindo a aposentadoria especial de professores e de policiais civis.

Algumas categorias, como juízes, promotores, policiais federais e policiais militares, conseguem se blindar parcialmente dessas mudanças. Isso acontece porque estão politicamente organizadas e porque o país reconhece a importância da segurança pública e da transparência.

Este é o momento de ter coragem para renovar as lideranças sindicais e para construir novas formas de organização e de luta. #somosoposicao

Não há tempo para esperar: é hora de luta. Já basta servirmos de bode expiatório.

A mensagem é assinada em nome da renovação do SIFUSPESP: em tempo de crise e de privatização, só nos resta a união, sem medo e com #verdademanifesta.

Matéria originalmente publicada no blog "Diálogo Digital com Fábio Jabá" em 20 fev 2017. Ler a versão original no blog
Todas as notícias Some à base