
Fábio Jabá conta que, catorze anos atrás, decidiu não ser apenas mais um servidor público que cumpre o horário e volta para casa sem questionar nada. Sempre existiu, segundo ele, uma inquietação interna, mesmo desde novembro de 2000, quando tomou posse como agente de segurança penitenciária, com apenas 21 anos. Na época, ele não sabia bem o que a profissão exigia, embora já tivesse primos e amigos que atuavam como agentes; o que o motivava, na verdade, era um sonho de infância: tornar-se carcereiro.
Ele relembra que seu primeiro contato com o universo prisional foi ainda quando levava comida para as delegacias da cidade. Nessas idas e vindas, conheceu um carcereiro chamado Moisés, que sempre o tratava com atenção durante os plantões. Anos depois, cursando a 7ª série, a professora de EPT/OSPB, Sueli, pediu que a turma entrevistasse algum profissional cuja carreira gostariam de seguir no futuro. Sem pensar duas vezes, Jabá escolheu entrevistar o carcereiro Moisés.
Depois da entrevista, ele produziu uma redação em que, com a sinceridade típica de uma criança, declarou o desejo de se tornar carcereiro. Tempo depois, ao participar de um dos primeiros concursos para Agente de Segurança Penitenciária (ASP), realizado na cidade de Pacaembu, teve bom desempenho na prova escrita, mas foi eliminado na entrevista: ao ser questionado sobre o motivo de querer ser ASP, respondeu, sem rodeios, que aquilo era o seu sonho de vida.
Mesmo assim, não desistiu do objetivo, e em 2000 finalmente tomou posse, no CDP de Belém 2. Ele descreve aquele período como uma fase difícil, marcada pelo avanço do domínio de facções criminosas e por um número alto de mortes dentro das unidades, mas também como uma etapa de aprendizado valioso para sua trajetória profissional.
Foi na Penitenciária de Lavínia que sua militância sindical começou. Ali, boa parte do corpo funcional denunciou o domínio do PCC sobre a unidade e, como consequência, segundo relata, vieram perseguições, humilhações e transferências forçadas entre turnos e unidades. Ele afirma que acreditava na justiça e que, apesar da demora, ela finalmente prevaleceu: ele e outros quatro colegas foram absolvidos no Processo Administrativo Disciplinar (PAD) que pedia a demissão de todos eles.
Ao antecipar a pergunta de por que compartilha esse relato, Jabá responde que é porque tem orgulho de ser ASP e, hoje, como representante da categoria, exerce sua atuação sindical com afeto e responsabilidade. Reconhece que nem cada caso individual nem a luta coletiva como um todo são fáceis, mas diz acreditar nessa luta e pede que cada servidor do sistema prisional, de qualquer setor ou área, também passe a acreditar.
Ele convoca a categoria à unidade e à mobilização, afirmando que a pressão sobre o governo do estado de São Paulo vai aumentar. Sozinhos, argumenta, os servidores não conseguirão vencer; unidos e organizados, sim. É isso, para ele, que representa o sindicato: cada servidor, ele mesmo incluído, compõe o sindicato. Encerra reafirmando sua fé na luta e convidando os colegas a acreditarem e seguirem junto com ele.
Por fim, ele atualiza o destino dos dois personagens que abrem sua história: Moisés, o antigo carcereiro, hoje é investigador e é casado com uma agente de segurança penitenciária; já a professora Sueli também terminou se tornando agente penitenciária.