
Muitos guerreiros e guerreiras da categoria ficaram abatidos depois do anúncio feito pelo governador João Doria (PSDB) em coletiva de imprensa na última sexta-feira, dia 14 de junho. Ao lado do vice-governador Rodrigo Garcia, Doria declarou que o governo "não quer mais" manter presídios públicos e usou o custo elevado da aposentadoria dos servidores penitenciários, aquela mesma aposentadoria financiada por nós, com desconto mensal em nosso salário inclusive depois que já estamos aposentados, como argumento para justificar a entrega do sistema prisional à iniciativa privada.
É fundamental lembrar que a Lei de Execução Penal deixa muito claro o que pode e o que não pode ser terceirizado dentro do sistema penitenciário. É apoiados nessa legislação, e na mobilização de toda a categoria, que vamos enfrentar essa tentativa de privatização. A própria lei estabelece que a nossa função é indelegável, e as chamadas "Regras de Mandela", incorporadas ao Artigo 143 da Constituição do Estado de São Paulo, deixam expresso que a custódia da pessoa presa é uma responsabilidade exclusiva do Estado.
Sei que essa batalha está apenas no começo e que o desânimo tomou conta de parte dos companheiros, mas este não é o momento de perder a fé. Há quem esteja anunciando o fim da carreira de servidor penitenciário, mas posso garantir que, enquanto eu estiver na presidência do SIFUSPESP, isso não vai se concretizar. Vamos continuar essa luta unidos.
Quando decidi entrar para mudar as coisas, vim para lutar, e é esse mesmo espírito que peço a cada um de vocês agora. Não importa a função, se você trabalha em regime de diária ou de plantão, se atua na área meio, se é APS ou AEVP, chegou a hora de cada companheiro e cada companheira refletir sobre que futuro quer construir para a nossa categoria.
Essa resistência não é improvisada, ela tem estratégia. Os três sindicatos da categoria se uniram em torno dessa causa, e já temos uma reunião marcada ainda esta semana para definir novos passos de mobilização.
Nos próximos dias, o Coronel Restivo deve ser chamado a prestar esclarecimentos na Assembleia Legislativa, espaço onde o SIFUSPESP vem atuando com força, a ponto de já ter conseguido alterar a própria pauta das sessões. Precisamos estar organizados para comparecer ao plenário e enfrentar esse momento à altura. A articulação está montada e seguimos avançando.
Fica então o recado a todos os guerreiros e guerreiras da nossa categoria: não vamos morrer sem lutar!