
Um grupo de servidores públicos foi até o gabinete do deputado estadual Arthur do Val, sem partido, mais conhecido pelo apelido de Mamãe Falei, na manhã da segunda-feira, dia 9, por volta das 10 horas. A cobrança ganha um contorno especial por se tratar justamente do parlamentar que, em outra ocasião, chamou de vagabundos os próprios servidores e sindicalistas que se mobilizavam contra a reforma da Previdência proposta pelo governador João Doria.
O detalhe é que, naquele mesmo dia, a Assembleia Legislativa de São Paulo tinha na pauta justamente a votação dessa reforma, um tema de peso direto sobre a vida da categoria. Mesmo com o assunto em jogo e dentro do horário normal de expediente, o deputado simplesmente não estava em seu gabinete, ausente da função para a qual foi eleito e pela qual recebe uma verba de mandato generosa, paga com dinheiro público.
Um assessor informou que do Val estaria no interior de São Paulo, mas essa justificativa levanta dúvidas, já que a base eleitoral do deputado é a capital paulista, e não o interior. Soma-se a isso o fato de que ele teve todo o fim de semana livre para eventuais compromissos de trabalho de base, o que torna ainda menos compreensível sua ausência numa segunda-feira de pauta relevante, quando o esperado era encontrá-lo no gabinete.
Diante disso, fica a pergunta irônica: entre o deputado que falta no dia da votação e os servidores que se deslocam até a Assembleia para cobrar seus direitos, quem é o verdadeiro vagabundo?
O post ainda indica um vídeo no qual os próprios servidores desabafam sobre o episódio, trazendo mais detalhes da cobrança feita ao gabinete vazio do deputado.