
Fábio Jabá alertou que já vinha sinalizando à SAP, ao governo do Estado e a diversos parlamentares sobre a tensão crescente dentro do sistema penitenciário paulista. Ainda assim, na noite da segunda-feira, dia 16, várias unidades prisionais entraram em rebelião. Segundo ele, esse episódio é um desdobramento da chamada "greve branca" promovida pelas facções criminosas, um movimento de resistência que teria sido ignorado tanto pelo secretário Nivaldo Restivo, tratado por ele como um mero "gestor", quanto pela própria Secretaria de Administração Penitenciária, mesmo depois de o problema ter sido denunciado. A causa apontada para a revolta teria sido a suspensão da "saidinha", benefício interrompido em razão do coronavírus.
Jabá relata que esteve pessoalmente em Porto Feliz, dando apoio aos trabalhadores da unidade, e descreve a cena como de caos total, com fogo se espalhando pelas áreas ao redor do presídio. Ali, os detentos teriam colocado fogo em um canavial próximo à penitenciária durante a rebelião, e parte dos presos conseguiu fugir durante a confusão.
Diante da gravidade da situação, o Grupo de Intervenção Rápida (GIR) foi mobilizado, e o trabalho de recaptura dos fugitivos seguiria durante a madrugada. A unidade de Porto Feliz ficou com estruturas bastante destruídas, e havia, segundo Jabá, informações ainda em apuração de que os presos teriam obtido uma faca durante o motim.
Na sequência, ele reproduz a cobertura feita pelo SIFUSPESP sobre o conjunto de fugas e motins que atingiram simultaneamente diversas unidades do estado naquela segunda-feira.
De acordo com o sindicato, os detentos estariam revoltados com a suspensão das saídas temporárias e do trabalho externo, decisão tomada pela Corregedoria-Geral de Justiça a pedido da SAP. No Centro de Progressão Penitenciária "Dr. Rubens Aleixo Sendin", em Mongaguá, centenas de presos fugiram ao fim da tarde de segunda, e pelo menos oito policiais penais chegaram a ser mantidos como reféns durante o motim. Felizmente, esses agentes foram liberados após uma negociação intensa com os detentos amotinados. A unidade registrou fuga em massa, quebra-quebra generalizado e queima de colchões.
Já no CPP de Porto Feliz, conforme a reportagem do sindicato, os presos atearam fogo ao canavial que circunda a unidade durante a rebelião, e parte deles também conseguiu escapar. O GIR foi novamente citado como a força acionada para conter o motim, com a recaptura se estendendo pela madrugada de terça-feira, dia 17. Até o início da manhã daquele dia, mais de 250 detentos já haviam sido recapturados. A unidade ficou seriamente depredada, com algumas áreas internas também incendiadas pelos próprios rebelados, e permanecia em apuração a suspeita de que os presos teriam portado uma faca.
Na Penitenciária de Mirandópolis, o motim se concentrou na ala destinada à progressão penitenciária, onde ficam detentos do regime semiaberto. O tumulto foi controlado depois de algumas horas, mas não sem que a unidade fosse completamente incendiada pelos presos. O fogo também atingiu o CPP Edgard Magalhães Noronha, conhecido como Pemano, em Tremembé, onde houve queima de colchões e depredação das instalações. Dos detentos que fugiram dali, pouco mais de 80 tinham sido recapturados até a manhã de terça-feira.
Outra rebelião foi registrada no Centro de Ressocialização de Sumaré. O GIR foi mobilizado e conseguiu conter o motim, que envolveu quebra-quebra por parte dos presos e a tomada de um servidor como refém, o qual foi libertado somente depois das 22h, quando os tumultos finalmente cessaram.
No CPP de Valparaíso, o princípio de motim foi contido rapidamente com a intervenção do GIR, e a informação apurada é de que apenas dois detentos conseguiram fugir.
Segundo a reportagem, as rebeliões teriam sido uma reação coletiva dos presos à suspensão das saídas temporárias e do trabalho externo, medida determinada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo como forma de conter o avanço do coronavírus dentro das unidades. A decisão partiu do corregedor-geral de Justiça, Ricardo Anafe, e foi tomada com base em "pontos críticos" apontados pelo próprio secretário de Administração Penitenciária, Nivaldo Restivo. O documento com a decisão completa estava disponível para consulta, e o benefício suspenso alcançava cerca de 34 mil presos do regime semiaberto em todo o estado.
Em entrevista concedida na manhã de 17 de março, o coronel Nivaldo Restivo informou que, dos 577 detentos que haviam fugido do CPP de Mongaguá, 184 já tinham sido recapturados até aquele momento.
Os números consolidados pela Secretaria de Administração Penitenciária, divulgados até a terça-feira, apontavam um total de 1.389 presos fugitivos em todas as unidades afetadas, dos quais 611 já haviam sido recapturados com o apoio conjunto da Polícia Militar e dos policiais penais.
O SIFUSPESP informou que continuava apurando novos dados sobre o desenrolar das rebeliões nos dias seguintes.