
Fábio Jabá abre o texto defendendo que os servidores precisam adotar uma postura classista: como vivem do próprio salário, têm que defender com firmeza o que conquistaram, e qualquer governo que tente retirar direitos deve ser tratado como o principal adversário da categoria.
Ele destaca que o conhecimento é o que mais liberta o ser humano e critica quem opina sobre assuntos que não domina de fato. Lembra que o Estatuto do Servidor Público exige que todo servidor esteja atualizado sobre normas e regulamentos, e cita como prova disso o fato de que, se um servidor comete um crime, sua pena é aumentada em um terço justamente por ter obrigação de conhecer a legislação.
Cita a criação da Polícia Penal como fator que já evitou a privatização do sistema prisional em São Paulo, mencionando uma decisão recente do Tribunal de Justiça que impediu a cogestão de quatro unidades penais. Segundo ele, a juíza responsável deixou claro que essas atividades são atribuições do Estado, reforçadas pela Polícia Penal, incluindo o trabalho de psicólogos e assistentes sociais que elaboram laudos, função que também não pode ser terceirizada.
Sobre o SIFUSPESP, afirma que o sindicato não pretende obrigar ninguém a se filiar; para ele, a filiação precisa nascer da consciência de que a luta é feita em benefício de todos.
Reconhece que a categoria atravessa um momento de alienação política, e diz sofrer críticas por, em algumas ocasiões, criticar o presidente Bolsonaro. Ainda assim, ressalta que foi durante o governo dele, por meio da Lei 173, que ficaram congelados o tempo de serviço e os aumentos salariais dos servidores.
Relata que a reforma da Previdência, iniciada em Brasília, teve continuidade em São Paulo através da reforma previdenciária do funcionalismo promovida pelo governador Doria, que passou a cobrar também os servidores já aposentados, uma vez que a reforma estabeleceu contribuição maior para quem não está mais na ativa. Para ele, essa cobrança não é ilegal, mas é imoral, e há ações judiciais contestando a medida, ainda que a lei já esteja em vigor.
Explica que o sindicato tem cobrado do governo estadual a comprovação do déficit atuarial usado para justificar esses descontos. Sem essa prova, avalia que existe chance de vitória judicial que suspenda a cobrança e obrigue a devolução dos valores já descontados de colegas que dedicaram muitos anos ao sistema.
Volta a repetir que o conhecimento liberta e não ocupa espaço, recusando o rótulo de "diferenciado" que às vezes recebe. Diz que apenas foi um profissional curioso, que quis atuar corretamente e denunciou irregularidades, sendo perseguido por isso. A partir daquela experiência, passou a se aprofundar em leis e normas, percebeu que o sindicato o apoiou quando precisou, e foi isso que o levou a se engajar na luta coletiva, não apenas em causa própria, mas em defesa de toda a categoria.
Reforça que não possui nada além do que qualquer outro servidor aprovado em concurso público já estudou, referindo-se ao Estatuto do Servidor Público, e defende que basta a cada um se apropriar desse conhecimento sobre a legislação e sobre a própria Polícia Penal.
Argumenta que a Polícia Penal não traz nada de novo, apenas regulamenta atividades que os servidores já exerciam na prática. Cita exemplos de agentes que dirigem viaturas e tiveram que pagar por danos em acidentes, e de agentes que fizeram escolta e responderam a sindicâncias, alguns até exonerados, por fugas de presos. Com a nova carreira, tarefas como dirigir e fazer escolta passam a ser reconhecidas oficialmente entre as atribuições da função.
Repete o lema de que o conhecimento não ocupa espaço e lamenta que parte da categoria ainda ignore as normas e o conteúdo dos documentos que regem a profissão. Relaciona esse comportamento a um fenômeno mais amplo de "bestialização" no Brasil, em que as pessoas confiam mais em posts, figurinhas, fotos e cards de WhatsApp do que em pesquisa, compartilhando informações sem checar se são verdadeiras.
Defende que a maior força de mobilização vem de cada um: quem quer transformar sua história, sua vida ou seu ambiente de trabalho precisa lutar e aceitar que isso tem um custo, superando o medo de represália que leva muitos a não agir. Por isso, diz, o sindicato existe como ferramenta disponível a quem quiser usá-la, assim como ele próprio usou e recebeu apoio.
Afirma que, entre todos que já recorreram ao sindicato, nenhum ficou desassistido. Descreve que a entidade se mobiliza inteiramente para ajudar as pessoas, sempre dentro da legalidade, pois não defende causas erradas.
Encerra pedindo reflexão sobre o momento atual, já que a reforma administrativa ameaça retirar benefícios como a sexta parte e o quinquênio, entre outros direitos, enquanto parte da categoria ainda aplaude o governo federal responsável por essas medidas. Reitera que é hora de agir com espírito de classe e defender o que é seu, pois a categoria vive do próprio salário, concluindo que nenhum governo tem o direito de retirar conquistas dos servidores, e que quem o fizer se torna o inimigo número um da categoria.