Precisamos de atitude contra a privatização e a venda das cadeias

Na manhã do dia 13 de novembro, estive presente na audiência pública "Sistema prisional: Vender as prisões para empresas é a solução?", promovida na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). O encontro foi proposto pelo deputado estadual Carlos Giannazi, do PSOL, em conjunto com o SINDCOP e com a Federação Internacional de Serviços Públicos (ISP).

Durante os debates, dirigentes vindos dos Estados Unidos relataram as consequências que a privatização do sistema prisional trouxe para o país deles: perda de direitos dos servidores e crescimento do número de encarcerados. A gravidade desses efeitos, segundo eles, já vem empurrando os norte-americanos de volta para a reestatização das prisões.

Ao falar na audiência, defendi que precisamos assumir uma postura e uma ideologia novas para enfrentar as privatizações e para brigar por um reajuste salarial que dê dignidade à categoria. Disse que somos democráticos, que respeito quem é de esquerda e quem é de direita, cada um com sua convicção, mas que chegou o momento de adotarmos o que chamei de ideologia da sobrevivência, porque estamos sendo esmagados pela falta de condições de trabalho, pela superlotação e, agora, também pela tentativa do governo estadual de privatizar o sistema.

Afirmei que o momento de refletir já passou e que agora é hora de agir, e disse esperar que os guerreiros e guerreiras da categoria se juntem a essa luta. Reforcei que a mobilização é sempre indispensável em qualquer enfrentamento que a categoria precise travar, e que isso vale ainda mais quando o assunto é a privatização: é preciso conscientizar e trazer a população para essa disputa contra o governo do estado.

Destaquei também que a realidade brasileira é diferente da americana: aqui temos uma cultura de paralisação e de ida às ruas, e não há outro caminho senão parar os serviços para forçar a atenção do governador. Disse ainda que somos nós, servidores, os verdadeiros representantes do Estado, porque os governantes são passageiros, entram e saem, enquanto nós permanecemos.

Por isso reafirmei, para encerrar: o tempo da reflexão já se esgotou, agora é hora de atitude.

Matéria originalmente publicada no blog "Diálogo Digital com Fábio Jabá" em 14 nov 2019. Ler a versão original no blog
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