Reforma da previdência : a mobilização deve continuar

Dividir para depois governar sem resistência: essa sempre foi a lógica usada pelos governantes em momentos de disputa. No caso da reforma da previdência proposta pelo governo golpista, essa lógica aparece disfarçada de respeito ao pacto federativo. Ao retirar os servidores estaduais e municipais do texto que tramita em Brasília, o governo não está abrindo mão de atingi-los: está apenas fragmentando a resistência, enfraquecendo a mobilização que, unificada, seria mais difícil de vencer.

É preciso ficar atento a essa manobra. Cada estado terá que discutir e votar sua própria versão da reforma na respectiva assembleia legislativa. Aqui em São Paulo, a base governista, aqui chamada ironicamente de "o Santo", já conta com maioria confortável na Assembleia Legislativa. Por isso, este é o momento de pressionar e cobrar posicionamento do seu deputado estadual: ele vai votar a favor do povo ou vai se alinhar automaticamente ao interesse do governo?

Não se pode esquecer que essa divisão entre esferas de governo não protege a maioria da população. Trabalhadores da iniciativa privada e a massa de segurados do INSS continuam plenamente expostos aos efeitos da reforma nacional, sem nenhuma garantia de que ficarão de fora do que está sendo decidido.

Por isso, a mobilização não pode parar agora. É preciso continuar dizendo não tanto à reforma da previdência quanto à reforma trabalhista que tramita em paralelo.

Matéria originalmente publicada no blog "Diálogo Digital com Fábio Jabá" em 21 mar 2017. Ler a versão original no blog
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