Tarcísio deve apresentar nesta terça (2) projeto para reajustar salários de policiais civis e militares

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) se preparava para levar à Assembleia Legislativa de São Paulo, nesta terça-feira, dia 2 de maio, um projeto de reajuste salarial voltado às polícias civil e militar do estado.

A expectativa, porém, gerava desconforto entre as categorias. Os policiais civis temiam ficar com um percentual de aumento inferior ao concedido aos militares, enquanto os policiais penais receavam algo ainda mais grave: serem deixados de fora do pacote por completo.

Jorge Wilson Xerife, líder do governo na Assembleia e também do Republicanos, confirmou que o projeto seria mesmo enviado ao Legislativo e adiantou que o reajuste ficaria "acima da inflação", segundo orientação do próprio governador.

A valorização das carreiras policiais era tratada como uma das bandeiras da gestão Tarcísio, tendo à frente da pasta o secretário da Segurança Pública, capitão da reserva da PM Guilherme Derrite, para quem o tema já havia sido um dos eixos de campanha.

Do lado dos delegados, a presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo, Jacqueline Valadares, chamava atenção para a defasagem salarial da categoria: enquanto a média nacional de remuneração de um delegado giraria em torno de R$ 18 mil, em São Paulo esse valor não passaria de R$ 12 mil.

Para ela, sendo o estado mais rico do país, São Paulo deveria ao menos igualar seus delegados à média nacional, o que exigiria um reajuste de cerca de 50%. Reconhecendo que um salto desse tamanho seria difícil logo no início de um novo governo, a delegada defendia que um aumento mínimo de 30%, já concedido no dia seguinte, seria um passo razoável.

O texto lembrava ainda o histórico recente da categoria: em 2019, já sob o governo de João Doria (PSDB), os delegados haviam recebido um reajuste de apenas 5%; no ano passado, o aumento concedido fora de 20%.

Já entre os policiais penais, a expectativa era de exclusão. Fábio Jabá, presidente do Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional de São Paulo, relatou que o secretário da Administração Penitenciária, Marcello Streifinger, havia informado que a categoria não estaria contemplada no anúncio de terça-feira, ficando a promessa de um projeto separado para mais adiante.

Jabá questionava a decisão: mesmo em governos historicamente menos favoráveis ao funcionalismo, como os de Geraldo Alckmin e João Doria, os policiais penais haviam recebido reajustes. Para ele, não fazia sentido que justamente uma gestão que se apresenta como defensora da segurança pública deixasse essa categoria de fora do pacote.

Em razão disso, o Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional articulava um ato de protesto em frente à Assembleia Legislativa, previsto para a manhã da própria terça-feira, dia 2.

Além do reajuste das polícias, a pauta que o governador levaria ao Legislativo paulista incluía também um projeto para elevar o piso salarial regional para R$ 1.550, valor acima do salário mínimo nacional.

Matéria originalmente publicada no blog "Diálogo Digital com Fábio Jabá" em 01 mai 2023. Ler a versão original no blog
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